Suportada numa procura crescente de alojamento e serviços de turismo nos últimos dois anos, vive-se uma fase de alguma euforia em que boas e más oportunidades de investimento se podem confundir e é aconselhável alguma prudência na avaliação dos investimentos.
A preocupação com maximizar receitas pode mascarar problemas de margens operacionais e margens financeiras e decidir novos investimentos baseados simplesmente no aumento do volume de receitas pode ser enganador.
Receitas e margens financeiras
O planeamento correto dos novos investimentos deve levar em conta tanto o potencial comercial como a margem financeira e deverá permitir ao Gestor:
- aproveitar oportunidades para novos investimentos, baseados em novos modelos de negócio, com uma clara diferenciação da oferta e boas margens operacionais;
- aproveitar incentivos ao investimento;
- assegurar a sustentabilidade financeira do projeto;
- apresentar aos seus investidores condições de investimento com adequada (elevada) remuneração de capital.
Diferenciação e novos modelos de negócio
Nos centros urbanos a oferta patrimonial, cultural e artística, a multiplicidade da oferta gastronómica ou a simples fruição dos espaços públicos e privados, constitui a oferta de experiências que justifica a visita turística; o turista tem à sua disposição informação facilmente disponível para programar a visita que faz é com base no programa de visita - o que define o prazo médio de permanência do turista. Nas zonas de praia, de termas ou de neve onde a procura tem um objetivo claro, mas uma sazonalidade mais vincada ou nas zonas rurais onde a procura tem ainda condições mais particulares, é importante criar uma oferta de experiências que permitam aumentar a procura fora das épocas altas, melhorando as taxas de ocupação e facilitando a gestão de pessoal.
Em qualquer caso o desenvolvimento de um conceito de oferta orientador de uma estratégia de marketing coerente irá reduzir o risco do projeto, aumentar receitas e margens de negócio e melhorar os custos e condições de operação.
Os elementos estéticos da construção, o requinte da decoração e mobiliário e a qualidade de serviço são elementos imprescindíveis para o Cliente perceber a qualidade da oferta.
Mas dada a multiplicidade atual da oferta de boas e de muito boas unidades hoteleiras, estes elementos passaram a ser insuficientes para promover uma imagem de diferenciação e a ser insuficientes para suportar a decisão do cliente no momento da escolha.
O Turismo é uma procura de experiências.
É essencial apostar na criação de elementos diferenciadores e de novos modelos de negócio, que tirando partido de recursos locais (culturais, gastronómicos, religiosos, sociais, desportivos, ...) criem junto do cliente a imagem de uma "experiência turística única".
E que através de notícias, eventos, opiniões nas redes sociais ou revistas de especialidade possa possam criar uma marca forte e diferenciadora junto do cliente.
Limites razoáveis de investimento
Sendo fundamental o desenvolvimento de elementos diferenciadores é importante identificar os limites de investimento não só em função da capacidade de gerar receita, mas também na capacidade financeira do hoteleiro.
Infelizmente não são raros os projetos hoteleiros com grande potencial e procura que sucumbem, não pelo montante de investimento ser excessivo para o potencial do projeto, mas sim por ser excessivo face à capacidade e a estrutura de financiamento que conseguem aportar.